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Artigo: O Outro Lado do Atlântico: África como Intersecção Entre as Políticas Externa e de Defesa do Brasil

O Brasil é um país de dimensões continentais. Com um território de 8.510.417,822 km2 e um litoral de 7.491 km de extensão, todo ele no Oceano Atlântico, enfrenta os desafios de projetar poder e defender-se em um ambiente estratégico cada vez mais complexo.
O objetivo desse trabalho é analisar qual o papel que as relações Brasil-África desempenham no contexto das políticas de defesa e externa do Brasil, no tocante ao Atlântico Sul. Para tanto, é preciso entender essa articulação entre as políticas públicas, bem como o papel do Atlântico Sul nas relações internacionais do Brasil. Por fim, deve-se analisar como o continente Africano insere-se nesse contexto.
Parte-se do pressuposto de que o aprofundamento das relações entre Brasil e África a partir dos anos 2000, especialmente no âmbito da cooperação em defesa, foi beneficiada pelo desenvolvimento de uma política de defesa mais concatenada com as demandas de política externa. A África e o Atlântico Sul, desta forma, representam, simultaneamente, prioridades tanto da política de defesa quanto da política externa, traduzindo-se em um ambiente estratégico fundamental para a inserção internacional do Brasil.
Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adotou o método histórico-comparativo. Valeu-se da pesquisa de bibliografia de referência no tema, bem como a análise de documentos oficiais.

Artigo: Os PALOP frente a atual crise sistêmica: entre a resiliência, as vulnerabilidades e as potencialidades

O artigo examina os Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) no contexto dos 50 anos de suas independências (1973-1975), analisando suas trajetórias históricas, vulnerabilidades e potencialidades. Cada país seguiu um caminho distinto após a independência: Angola e Moçambique enfrentaram guerras civis prolongadas, enquanto Cabo Verde consolidou uma democracia estável. Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe lidaram com instabilidade política e golpes. No período pós-Guerra Fria, os PALOP implementaram reformas políticas e econômicas, como multipartidarismo e ajustes estruturais, com resultados variados. Cabo Verde destacou-se pelo desenvolvimento e parcerias internacionais, enquanto Angola emergiu como potência regional devido a recursos como petróleo e diamantes. Moçambique enfrenta conflitos armados, como em Cabo Delgado, e desafios de desigualdade. A Guiné-Bissau permanece instável, e São Tomé e Príncipe aguarda a exploração de reservas de petróleo. As vulnerabilidades incluem fragilidade institucional, corrupção e desigualdade social. Como potencialidades, destacam-se posições geográficas estratégicas, recursos naturais, diplomacia multilateral (CPLP, UA) e soft power cultural. O artigo conclui que, apesar dos desafios, os PALOP demonstram resiliência e oportunidades para um futuro promissor, reforçando seu papel no sistema internacional.

Artigo: Desafios brasileiros para a revitalização da UNASUL: seria o arco da estabilidade a solução?

O objetivo deste trabalho foi verificar como o diálogo com os países do chamado Arco da Estabilidade pode contribuir para a iniciativa brasileira de revitalização da UNASUL. Para tal, realizou-se um estudo transversal, utilizando o software Publish or Perish, a fim de identificar publicações sobre o tema, produzidas a partir de 2017 e livros sobre as áreas de segurança e defesa, da política externa brasileira e seu entorno estratégico. Além disso, foi elaborado um levantamento da posição dos países sul-americanos em rankings relativos à fragilidade do regime político e das instituições nacionais, identificando questões de delimitação de fronteiras, vulnerabilidade social, baixo desempenho da economia e porcentagem do PIB mobilizada para investimentos no setor de Defesa, todas constantes em bancos de dados internacionais. Ao final, verificou-se que mobilizar o apoio dos países do Cone Sul parece ser a estratégia mais viável para solucionar os problemas políticos, ideológicos e financeiros que, atualmente, impedem o avanço da cooperação regional.

Dissertação: Segurança Alimentar na África Austral Lusófona: o papel da cooperação internacional para o combate à fome entre Brasil, Angola e Moçambique

As discussões em relação a promoção da segurança alimentar obtiveram maior relevância internacional após a inserção do conceito nas discussões sobre segurança na primeira metade dos anos 1990. O fim da Guerra Fria permitiu com que a segurança alimentar se tornasse um dos principais objetivos a ser perseguido pelos Estados a partir de uma constante ameaça de escassez de alimentos em escala global. O presente trabalho tem como objetivo analisar a validade da cooperação firmada pelo Brasil com Angola e Moçambique em relação ao combate à fome, evidenciando o que foi produzido em termos de cooperação, assim identificando se a cooperação tem atuado como instrumento atenuante ou agravante na dissolução da insegurança alimentar nos respectivos países. Dessa forma, diante da análise da interação entre as capacidades estatais e os sistemas agrícolas predominantes, por que a segurança alimentar se apresenta como um objetivo distante nos dois países africanos mesmo sob o enfoque da cooperação brasileira? O estudo possui caráter qualitativo-explicativo, de método hipotéticodedutivo em que realiza-se o teste de hipóteses, sendo elas: A persistência da insegurança alimentar em Angola e Moçambique está calcada (I) na falta de subsídios ao fortalecimento da agricultura familiar como produtora e fornecedora de alimentos, privilegiando a produção em larga escala embasada na monocultura de exportação; (II) na vulnerabilidade alimentar circunscrita na instabilidade das capacidades estatais dos países africanos, diante dos constantes conflitos internos que impedem os governos de empregarem e fortalecerem políticas assertivas de combate à fome; (III) e na conversão da cooperação internacional em mera assistência técnica incapaz de produzir efeitos estruturantes de longo prazo. Ao perseguir a resposta para a problemática apresentada, este estudo estará organizado da seguinte forma: um primeiro artigo versará sobre uma análise da evolução das discussões sobre segurança alimentar no escopo das relações internacionais, a partir das contribuições da abordagem das capacidades estatais. O segundo versará na aplicabilidade do resultado teórico produzido no primeiro, a ser incluído na discussão sobre o combate à fome no âmbito da cooperação internacional entre Brasil, Angola e Moçambique, e testará as hipóteses apresentadas.

Artigo: Jogos e Simulações nas Relações Internacionais e nos Estudos Estratégicos

Os campos científicos de Relações Internacionais (RI) e Estudos Estratégicos (EE) anteciparam em mais de um século o movimento pedagógico contemporâneo que defende o uso de jogos e simulações como instrumento relevante para processos de ensino-aprendizagem, no contexto social de crescente gamificação do mundo real e mundificação dos jogos digitais. Embora a adoção de técnicas de simulação e aprendizagem baseada em jogos na origem da formação disciplinar e pedagógica desses campos tenha sido demonstrada na literatura pertinente, ainda são escassas reflexões sobre as implicações epistemológicas de tal vanguardismo, bem como sobre as lacunas ainda existentes em ambos os campos na compreensão sobre a relevância e complexidade de jogos e simulações que representam e reproduzem dinâmicas internacionais. A pesquisa adota abordagem hipotético-dedutiva e utiliza técnica de revisão bibliográfica para levantar hipóteses plausíveis sobre a constituição dos campos científicos de RI e EE e o uso de jogos e simulações.

Article: Angola's International Projection: Internal Constraints of Foreign Policy and Defence Policy

Angola é um Estado de grande relevância na África Austral e Central. Após o acordo de paz, em 2002, entre as forças do governo, o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), e da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), emerge como uma importante liderança africana. A compreensão da sua política externa e sua política de defesa implicam, primeiramente, entender a influência que os fatores domésticos, em especial a permanência do MPLA no governo, tem na formulação dessas políticas e nos objetivos impostos. O objetivo do presente artigo é analisar essa relação, utilizando o fim da guerra civil, em 2002, e a saída do poder de Dos Santos, em 2017, como momentos de mudança política interna decisivos. Espera-se demonstrar como a inserção internacional de Angola está pautada, em grande medida, por interesses internos, principalmente o desejo do MPLA de manter-se no poder.
Palavras-chave: África, Angola, política de defesa, política externa, potência regional.

Article: The Media as a Securitising Agent of Public Security

O artigo apresenta a teoria da securitização em sua formulação originária, suas novas abordagens, a relação da securitização com a mídia e com a segurança pública, além de destacar a função da mídia e o papel da noticiabilidade (e do telejornalismo) nesse processo. Um estudo bibliográfico sobre o tema, realizado por meio do software Publish or Perish, permitiu constatar que os trabalhos sobre segurança pública remetem de maneira mecânica à incidência da mídia, mas não fazem referência às contribuições dos estudos da noticiabilidade e da securitização. Sustenta-se que o agenciamento midiático no tema ocorre de forma mais determinante do que a prevista pelas atuais teorias da securitização. Por fim, o estudo explica em profundidade o que entende por noticiabilidade quando aplicada ao tema, destacando a proeminência do telejornalismo no processo de securitização da segurança pública.
Palavras-Chave: Mídia. Noticiabilidade. Securitização. Segurança pública.

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