Dissertation

Dissertação: Um Deserto de Contradições: Colonialismo, Estabilização e Contraterrorismo nas Operações de Paz das Nações Unidas no Mali

Esta dissertação analisa a convergência entre as agendas de operações de paz e contraterrorismo no âmbito das Nações Unidas, com foco na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para Estabilização do Mali (MINUSMA). Sob uma perspectiva pós-colonial, investiga como normas e práticas onusianas foram moldadas por interesses ocidentais e como a agenda de contraterrorismo impactou as operações de paz, levando à sua securitização. O problema de pesquisa que guia o estudo é: Como a normatização da agenda das operações de paz convergiu com a agenda de contraterrorismo nas últimas duas décadas? Para respondê-lo, a pesquisa adota a tríade analítica composta por colonialidade afro-ocidental, normatização das operações de paz e estabilização em contextos de terrorismo. O objetivo geral é investigar essa convergência, explorando suas dimensões normativas e securitárias. Entre os objetivos específicos, destacam-se: analisar o processo evolutivo das operações de paz; discutir o impacto da colonialidade no continente africano e no Mali; examinar a atuação francesa na região; e avaliar os pontos de convergência entre operações de paz e contraterrorismo, com foco em seus efeitos sobre a legitimidade da missão. O Mali foi escolhido como estudo de caso por permitir a análise da interação entre a missão da ONU, a persistente influência do colonialismo francês e a presença de grupos terroristas. O estudo conclui que a contínua influência ocidental sobre os países africanos e seus reflexos nas Nações Unidas favoreceram a convergência dessas agendas, comprometendo os princípios fundamentais das operações de paz, impactando sua legitimidade e intensificando a insegurança regional.

Dissertação: O interesse nacional nas relações Brasil-África: Oscilações da Política Externa Brasileira, do Nacional-desenvolvimentismo ao Neoliberalismo

As relações entre o Brasil e os Estados africanos formam uma complexa trajetória histórica desde o século XVI até o presente momento, moldada por transformações internas no Brasil e na África, bem como por mudanças sistêmicas na arena internacional. Ao longo desse período, tais relações oscilaram entre momentos de engajamento e afastamento das interações entre as duas partes. A partir do processo de descolonização da África nos anos 1960 e da conjuntura internacional favorável à intensificação das relações entre países da periferia sistêmica, o Brasil, sob o projeto Nacional-desenvolvimentista, optou por se aproximar dos novos Estados africanos por meio de sua política externa pautada na Cooperação Sul-Sul, especialmente na década de 1970, almejando com isso atingir seus objetivos de desenvolvimento econômico, industrialização e autonomia política internacional. Entretanto, a política externa brasileira para a África, desde os anos 1990, já sob um paradigma neoliberal, enfatiza a falta de uma continuidade estratégica que seja capaz de alinhar os interesses de longo prazo do Brasil com os interesses, as oportunidades e os desafios apresentados pelo continente africano. Desse modo, mesmo em períodos de fortalecimento da política africana do Brasil, esta representa muito mais uma situação de oportunismo do que uma política contínua e estratégica. Pois, atualmente, a política externa do Brasil reflete a ausência de um projeto nacional coeso. Ao mesmo tempo que, no atual cenário geopolítico, o Atlântico Sul emerge como um espaço crucial para a cooperação e a concertação política entre as nações da região, visto que se observa um aprofundamento da crise da ordem internacional estadunidense, a qual produz uma situação de competição entre os antigos e os novos pólos de poder, fazendo do Atlântico Sul uma zona de interesse estratégico para as potências extrarregionais devido a sua abundância de recursos energéticos e ao potencial para o estabelecimento de influência nos países da região.

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